A história do Christian : Faz diferença a universidade que você escolheu?

by Josh Barsch on July 19, 2009

Traduzido por Renata Castro Alves

19 de abril de 2010

É segunda-feira, e eu estou pronto pra começar a batalha. Fiz 45 minutos de cardio antes do café (e olha que o café de hoje é bem saudável). Além disso, hoje tenho a casa em silêncio e um café fresquinho. Como o Joe do seriado “Family Guy” diria… VAMBORA!!!

Um camarada chamado Christian Reich me escreveu há alguns dias. Tá certo – isso foi há nove dias
atrás, e admito que estou bem atrasado em responder pois a data limite dele se acerca. Peço desculpas!

Tenho uma pergunta muito parecida com a da Nancy:

Fui aceito no programa de Motion Design (combinação de animação e design gráfico) da Ringling
College of Art and Design, uma escola de prestígio no campo das artes (paga-se pelo nome) e com fortes contatos em companhias de peso – Disney, Pixar – essa é uma das maiores clientes.

Eu não sei nada a respeito de escolas de arte e design, mas sigo essa lógica: se eles tem conexões de peso com companhias grandes que contratam seus designers, então você está pagando por muito mais do que um nome. Isso é bom!

Eu também fui aceito no program de Mídia Digital da Universidade de Tampa.

Após contabilizar bolsas e contribuições dos meus pais, me formaria na Universidade de Tampa sem dever nada. Caso eu escolhesse a Ringling, me formaria com uma dívida de $80,000.

Argh! Essa vai ser difícil, tá na cara.

Agora a diferença entre eu e a Nancy (na minha opinião) é o fato de que eu estarei estudando arte/design. Minha preocupação é que o nome da Universidade de Tampa não terá tanto peso no meu currículo quanto o nome da Ringling teria. Também me preocupo em relação a qualidade do curso.

Todos pontos válidos.

Lá vai - Christian. E Nancy. E Elizabeth. E Liz....

De certa forma estou procurando uma vidente que possa me dizer qual dos dois nomes terá maior peso na minha carreira. Também gostaria de saber se eu conseguiria compensar o fato de ir para uma escola como a Universidade de Tampa (sem tanto reconhecimento).

Tem algo mais que eu não levei em conta? O que você recomenda?
Preciso decidir até o dia 1º de maio. Visitarei a University of Tampa em uma ou duas semanas. Agradeceria uma resposta rápida.

Obrigado!

Bom, já furei na resposta rápida, então preciso caprichar. Há muito a fizer nessa aqui, então começarei com alguns comentários gerais.

Acho que falei disso quando falei da história do Duke, mas sei que estou fadado a repetir essa história até o fim dos meus dias – o conto das escolas “de nome”. Você sabe, escolas de prestígio, escolas de renome, escolas que gozam de reconhecimento na indústria que você escolheu.

Vamos por partes.

Existem escolas que fazem jus a fama e outras,nem tanto. Também tem as escolas que tem a fama de serem instituições de prestígio pela comunidade em geral/desentendidos, mas não o são necessariamente pelos especialistas na área – até mesmo pelos professores e alunos.


Esses exemplos estão em todos lugar, e se você quiser/puder encaixar conselhos meus na sua situação, vou usar dois exempoos onde tenho experiência pessoal, já que frequentei ambos tipos de escolas. Os exemplos são da Boston University e da University of Missouri.

Fui pra Boston University quando saí do Ensino Médio (2º grau), que cursei lá nos cafundós de South
Dakota em 1992. Para uma comunidade rural e pquena do meio-oeste americano, isso era o máximo;
um dos seus a caminho de uma escolha chique e prestigiada como a Boston University. E não eram só os
“caipiras”que estavam felizes – eu me sentia da mesma forma.

Daí eu fui para a Boston University e achei que era até um lugar bacana – mas não necessariamente um lugar de prestígio. Era particular e cara – isso é verdade e continua assim – mas não era a sociedade secreta que abriria portas, a nata da nata que todo mundo achava que era.

Por várias razões ( e pobreza era a mais forte delas) eu acabei pedindo transferência durante o meu 2º ano. E enquanto a experiência valeu a pena, eu acho que a Boston University é o exemplo perfeito de uma instituição de nível superior que tem seu “prestígio” e o mesmo não justifica o seu custo. Hoje em dia, o custo é justificado por outros meios, como dormitórios mais chiques, mas em pelo 1992, só prestígio já bastava.

Já a University of Missouri era o lado oposto. Lá consegui meu Mestrado em Jornalismo. Se você tem pelo menos um leve interesse no curso de Jornalismo, saberá que a faculdade de Jornalismo da University of Missouri é a mais antiga dos EUA e tão prestigiada quando outras – isso aí, incluindo a Northwestern e a Columbia! 

Digo isso sem medo – o prestígio da University of Missouri FEZ da minha carreira um sucesso! E tem mais – eu nem exerci a profissão de jornalista. Nunca, nunquinha trabalhei como jornalista depois de formado mestre em jornalismo.
Isso não importa – a formação em jornalismo pela Mizzou (apelido da University of Missouri) abriu todas as portas que eu precisava para chegar aonde eu queria chegar. A conexão da Mizzou com a Cox Interactive Media me lveou até um trabalho ganhando $2900 por mês (S35000 por ano) gerenciando
um website de notícias e eventos de Phoenix (a CIM não existe mais, mas existiu tempo o suficiente para alavancar minha carreira!). Um ano e meio depois, eu já estava ganhando $6250 por mês ($75000 por ano) em uma empresa que fazia softwares para websites de jornais (já era também, mas deu o que tinha que dar!). Era realmente uma nota pra um rapaz de 25 anos com um diploma de jornalista.

O prestígio da Mizzou me “deu”o emprego na empresa de software? Absolutamente não – trabalhei feito um cão no meu emprego anterior para subir na empresa e ter um currículo vistoso, que fosse de interesse para a empresa de software, para daí então eles quererem me contratar. Mas não perca o foco: Sem a Mizzou, eu não teria conseguido o emprego original que foi a alavanca para o emprego na empresa de software (que eu larguei depois de 6 meses, mas isso fica pra outro artigo).

Então vamos RECAPITULAR já que eu escrevi muito e perdi o fio da meada(desculpe!): Às vezes prestígio vale a pena, já outras vezes não.

Uma lição que todos os leitores devem aprender, mais cedo ou mais tarde, sem importar a idade: preço e valor não são a mesma coisa. Preço é preço. Valor é que você recebe pelo preço.

De volta a história do Christian Reich (que com esse nome deveria era virar cantor de banda de rock metal, mas sigamos): O que Christian deve fazer?

Isso depende o que ele quer fazer da vida dele, é claro, e o quão bom ele é. Christian, você é bom o suficiente para andar com os bam-bam-bams da área que você escolheu? Isso é, se você for para a Ringling, você vai ralar muito e aparecer entre as notas mais altas para que os reps da Disney ou da Pixar possam te querer te entrevistar?

Você apostaria $80,000 em você, Christian? (Seja lá o que você escolher, é muito mais excitante quando você pensa dessa forma, não é?  E você deve saber que se você fizer a aposta, o cobrador estará lá. Ele aceita pagamentos por débito automático em conta com juros pelos próximos 10 ou 20 anos).

Outra consideração a ser feita é o programa da University of Tampa. Como é? Ele tem suas próprias conexões com outras empresas? Agências do governo? Governos fazem muitas publicações, e todas precisam de design. Essas não contam necessariamente com o dinheirão da Pixar, mas é trabalho garantido com ótimos benefícios. Mais uma vez, tudo é relativo – depende do que você quer para a sua vida.

Para ambas escolas, dê uma boa olhada nas promessas de cada uma. Procure (no Facebook!) algums ex- alunos da Ringling e pergunte sobre o programa, onde eles trabalham agora, se valeu a pena ter estudado lá. Se você puder ( e você pode se tentar com afinco), “caçe”algumas pessoas na Pixar e/ou Disney e pergunte a eles o que eles acham dos formandos da Ringling, se a educação da Ringling é um diferencial de peso na hora de contratar alguém.
As duas opções podem valer a pena pra você Christian, contanto que você tome sua decisão baseado
nos motivos certos. Caso seu sonho seja trabalhar em uma estúdio de animação e a Ringling é um atalho para chegar lá – vai com tudo. Mas não vá para a Ringling só porque você foi aceito, e a escola tem nome, e porque você acha que será um perdedor se não for.

A questão da dívida é uma que eu já levantei e que eu incluirei um link para o artigo anterior de maneira a não enrolar muita linguiça aqui, mas em suma: a dívida é real e afetará sua vida quando você tiver que começar a pagar, mesmo que você esteja ganhando bem. Só você poderá decidir se as regalias do seu trabalho e o que espera por você como formando da Ringling compensará o stress de pagar de $800 a
$900 dólares por mês.

Digamos que você tenha uma prestação de $900 por mês. Olhando por alto, isso vai abocanhar uns
$1200 do seu salário antes dos descontos/impostos por mês. São $14400 do seu salário antes dos descontos/impostos por ano que irão para pagamento de empréstimos estudantis, portanto o emprego da Ringling tem que pagar pelo menos $15000 por ano a mais que o da University of Tampa.

Então Christian, já que eu sei que você está lendo esse artigo, deixe um comentário na sessão apropriada, para sabermos o que você decidiu!

Voltando aos conselhos gerais – e não hesite em deixar os seus abaixo prestígio as vezes vale a pena e a vezes não vale de nada. Em um de meus outros artigos, havia um excelente comentário a respeito de como a educação em instituições de ensino em si são menos significativas e valiosas do que quem você conhecerá nas mesmas.

Eu concordo plenamente. Quando falamos de Escolas de Elite (Ivy League), temos esses exemplos: cursos de Literatura Inglesa ou Estudos de Chinês realmente valem o triplo do preço do valor cobrado por instituições estaduais de renome? Provavelmente não. Você tem certeza estará tete-a-tete com futuros CEOs, senadores, Presidentes e outros futuros ilustres da política? Hmmm, é provável que não. E eu garanto que quem você conhece é mais importante do que o que você conhece.

Agora que eu fui de extremamente elétrico a levemente cansado, vou passar o bastão para vocês. O que vocês acham que o Christian deve fazer? Além do rock’n’roll, porque com um nome de Christian Reich, essa escolha é batata! 

Hora do almoço com a minha família. Tenho certeza que tenho mais chance de entrar para a escola de medicina da Harvard do que fazer com que minha filha coma os aspargos que sobraram da janta de ontem.

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